Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
O burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
É sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
[...]
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte e infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!
[Paulicéia Desvaira, 1922]
[Mário de Andrade]
Total de visualizações de página
Mostrando postagens com marcador Mário de Andrade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mário de Andrade. Mostrar todas as postagens
sábado, 10 de junho de 2017
ODE AO BURGUÊS
Marcadores:
burguesia,
classe,
literatura brasileira,
Mário de Andrade,
poesia,
poesia brasileira
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
O enfermeiro - Machado de Assis
Adeus, meu caro senhor. Se achara que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, ao qual dará por epitáfio esta emenda que faço aqui ao divino sermão da montanha: "Bem aventurados os que possuem, porque eles serão consolados".
In: Mário de Andrade: seus contos preferidos, Luiz Rufatto (org), Ed. Tinta Negra.
In: Mário de Andrade: seus contos preferidos, Luiz Rufatto (org), Ed. Tinta Negra.
Marcadores:
classe,
estratificação social,
literatura brasileira,
Machado de Assis,
Mário de Andrade
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Trecho de "Na Rua Mário de Andrade"
[...]
Ele, Mário, me diz: é preciso
flanar...
Eu digo a ele - ó Mário,
era o que eu ia te falar
É preciso flanar em ruas
- os passos levando sempre
para nenhum lugar
E Mário me diz: - Poeta,
nenhum-lugar é o melhor
lugar de um poeta chegar
[...]
Manoel de Barros
Ele, Mário, me diz: é preciso
flanar...
Eu digo a ele - ó Mário,
era o que eu ia te falar
É preciso flanar em ruas
- os passos levando sempre
para nenhum lugar
E Mário me diz: - Poeta,
nenhum-lugar é o melhor
lugar de um poeta chegar
[...]
Manoel de Barros
Marcadores:
escolhas,
Manoel de Barros,
Mário de Andrade,
poesia,
poesia brasileira
Assinar:
Postagens (Atom)