"Num relevo mais forte, tão forte quanto nunca o sentira, foi-lhe aparecendo a diferença que havia entre ambos, de gosto, de tendências, de vida. [...] Ele lhe parecia agora como um desses recantos da mata, próximo ao riacho, num sombrio misterioso e confortante. Passando num meio-dia quente, ao trote penoso do cavalo, a gente para ali, olha a sombra e o verde como se fosse para um cantinho de céu...
Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavacado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente.
Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza..."
O Quinze, Rachel de Queiroz, 1930
Total de visualizações de página
Mostrando postagens com marcador gênero. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gênero. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
terça-feira, 20 de outubro de 2015
"É nesse contexto que podemos identificar o olho não como o órgão que vê, mas como o órgão que chora".
Veena Das
Marcadores:
antropologia,
gênero,
Veena Das
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Fernando Pessoa Queer- Eros e Psique
- Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
1934
Marcadores:
contos de fadas,
Fernando Pessoa,
gênero,
princesa
sábado, 21 de março de 2015
Uma feminista em Ribeirão Preto
Queria beber
Cerveja e fumar um cigarro.
Fui no bar Pinguim e, como diria um amigo meu, parecia encontro de casais com cristo. Caretice.
Sentei no bar ao lado, qualquer coisa da Linguiça.
Escrevo um pouco bêbada neste momento, bêbada de chopps e cigarros e lasanha congelada bolonhesa que já pedi no hotel e chegou em cinco minutos no quarto, assinei a nota, inclusive já comi.
Mesmo assim resisto e escrevo.
Na garoa, na mesa externa do bar, no meio do chopp. o cara pediu conversa. Era isso que eu contava. Ele pediu conversa e eu dei. Logo chegaram seus amigos. Fui simpática e afirmei que jamais fui petista.
Chegou Julyana, prazer, puta da vida diante do descaso de seu ficante que vive em São Paulo e só quer saber de trabalhar e ganhar dinheiro. Ela da Paraíba, vive no Rio de Janeiro. Disse ela então: nunca havia entendido porque no Sudeste existem tantas feministas; no Nordeste somos bravas e fortes e isso está resolvido; aqui não, nos tratam constantemente como filhas da puta. Gostei. Disse a ela que gostei e que também era feminista. Os homens riram desconcertados.
Convidaram-me para um churrasco. Agradeci e não fui. Tinha um encontro com a lasanha bolonhesa congelada.
No hall do hotel, um pouco sem graça, eles já atrasados, nos reencontramos inesperadamente.
O amigo do Linguiça afirmou convicto: ela não vai ao churrasco porque é vegetariana.
- Eu não sou vegetariana, nunca falei isso.
Ele se constrangeu: eu confundi feminista com vegetariana, desculpa.
-ok, te desculpo.
Peguei o elevador e subi satisfeita, apesar.
Cerveja e fumar um cigarro.
Fui no bar Pinguim e, como diria um amigo meu, parecia encontro de casais com cristo. Caretice.
Sentei no bar ao lado, qualquer coisa da Linguiça.
Escrevo um pouco bêbada neste momento, bêbada de chopps e cigarros e lasanha congelada bolonhesa que já pedi no hotel e chegou em cinco minutos no quarto, assinei a nota, inclusive já comi.
Mesmo assim resisto e escrevo.
Na garoa, na mesa externa do bar, no meio do chopp. o cara pediu conversa. Era isso que eu contava. Ele pediu conversa e eu dei. Logo chegaram seus amigos. Fui simpática e afirmei que jamais fui petista.
Chegou Julyana, prazer, puta da vida diante do descaso de seu ficante que vive em São Paulo e só quer saber de trabalhar e ganhar dinheiro. Ela da Paraíba, vive no Rio de Janeiro. Disse ela então: nunca havia entendido porque no Sudeste existem tantas feministas; no Nordeste somos bravas e fortes e isso está resolvido; aqui não, nos tratam constantemente como filhas da puta. Gostei. Disse a ela que gostei e que também era feminista. Os homens riram desconcertados.
Convidaram-me para um churrasco. Agradeci e não fui. Tinha um encontro com a lasanha bolonhesa congelada.
No hall do hotel, um pouco sem graça, eles já atrasados, nos reencontramos inesperadamente.
O amigo do Linguiça afirmou convicto: ela não vai ao churrasco porque é vegetariana.
- Eu não sou vegetariana, nunca falei isso.
Ele se constrangeu: eu confundi feminista com vegetariana, desculpa.
-ok, te desculpo.
Peguei o elevador e subi satisfeita, apesar.
sábado, 2 de novembro de 2013
Escolhas
Angústia despolitizada.
Perpassa classe, cor, gênero e o que mais que o valha.
A minha condição humana. A sua. A nossa.
Variações mais ou menos agudas de dramas comuns.
Escolher uma coisa é sempre abrir mão de outra. E nenhum caminho leva a felicidade plena.
Pessimista?
Não, não, sou bem otimista. Porque se fosse só isso, estava bom.
Perpassa classe, cor, gênero e o que mais que o valha.
A minha condição humana. A sua. A nossa.
Variações mais ou menos agudas de dramas comuns.
Escolher uma coisa é sempre abrir mão de outra. E nenhum caminho leva a felicidade plena.
Pessimista?
Não, não, sou bem otimista. Porque se fosse só isso, estava bom.
Assinar:
Postagens (Atom)