Angústia, Graciliano Ramos, 1936
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sábado, 22 de fevereiro de 2020
Angústia, 1936
"Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se."
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segunda-feira, 19 de agosto de 2019
o avesso das cidades
Continuei por semanas minha romaria pelo avesso da cidade, explorando livremente todas as brechas, quase invisíveis para quem vive na superfície, pra cá e pra lá, às vezes à tona e de novo pro fundo, rodoviária, vilas, sebos e briques, alojamentos, pronto-socorro, portas de igrejas, de terreiros de candomblé, procurando meus iguais, por baixo dos viadutos, das pontos do arroio Dilúvio, nas madrugadas, sobrevivente, sesteando nas praças e jardins, debaixo dos arcos e marquises, sob as cobertas das paradas de ônibus desertas, vendo o mundo de baixo para cima, dos passantes apenas os pés.
Quarante Dias
Maria Valéria Rezende, 2014
Quarante Dias
Maria Valéria Rezende, 2014
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sábado, 25 de novembro de 2017
"É que tudo que eu tenho não se pode dar. Nem tomar. Eu mesma posso morrer de sede diante de mim. A solidão está misturada à minha essência..."
Perto do Coração Selvagem, C.L., 1943
Perto do Coração Selvagem, C.L., 1943
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017
- Guria, guria, muria, leria, seria..., cantava o homem voltado para Joana. Que é que tu vais ser quando cresceres e fores uma moça e tudo?
- Quanto ao tudo ela não tem a menor ideia, meu caro, declarava o pai, mas se ela não se zangar te conto seus projetos. Me disse que quando crescer vai ser herói...
O homem riu, riu, riu. Parou de repente, segurou o queixo de Joana e enquanto ele segurava ela não podia mastigar:
- Não vai chorar pelo segredo revelado, não é, guria?
Perto do Coração Selvagem, 1943, C.L.
- Quanto ao tudo ela não tem a menor ideia, meu caro, declarava o pai, mas se ela não se zangar te conto seus projetos. Me disse que quando crescer vai ser herói...
O homem riu, riu, riu. Parou de repente, segurou o queixo de Joana e enquanto ele segurava ela não podia mastigar:
- Não vai chorar pelo segredo revelado, não é, guria?
Perto do Coração Selvagem, 1943, C.L.
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quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Acariciando cismas
"Vinha a noite aos poucos e eu continuava a pensar, acariciando cismas, excitando recordações, rememorando minha infância, as fisionomias que ela viu e os fatos que presenciou."
Recordações do escrivão Isaías Caminha, 1917
Lima Barreto
Recordações do escrivão Isaías Caminha, 1917
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Vida social das coisas
"As botinas, os chapéus petulantes, o linho das roupas brancas, as gravatas ligeiras, pareciam dizer-me: "Veste-me, ó idiota! nós somos a civilização, a honestidade, a consideração, a beleza e o saber. Sem nós não há nada disso; nós somos, além de tudo, a majestade e o domínio!"
Recordações do escrivão Isaías Caminha - 1917
Recordações do escrivão Isaías Caminha - 1917
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Dos desafios de ser doutor no início do século XX
"Ah! Seria doutor! Resgataria o pecado original do meu nascimento humilde, amaciaria o suplício premente, cruciante e onímodo de minha cor..."
"Ah! Doutor! Doutor!... Era mágico o título, tinha poderes e alcances múltiplos, vários, polimórficos... Era um pallium [manto que cobre os ombros], era alguma coisa como clâmide sagrada, tecida com um fio tênue e quase imponderável, mas a cujo encontro os elementos, os maus olhares, os exorcismos se quebravam. De posse dela, as gotas da chuva afastar-se-iam transidas do meu corpo, não se animariam a tocar-me nas roupas, no calçado sequer. O invisível distribuidor dos raios solares escolheria os mais meigos para me aquecer, e gastaria os fortes, os inexoráveis, com o comum dos homens que não é doutor. Oh! Ser formado, de anel no dedo, sobrecasaca e cartola, inflado e grosso, como um sapo-entanha antes de ferir a martelada à beira do brejo; andar assim pelas ruas, pelas praças, pelas estradas, pelas salas, recebendo cumprimentos: Doutor, como passou? Como está, doutor? Era sobre-humano!..." (p.75)
"Houve ocasião em que ele exprobrou essa nossa mania de empregos e doutorado, citando os ingleses e os americanos. "Todo mundo quer ser doutor..." Corei indignado e respondi com alguma lógica, que me era impossível romper com ela; se os fortes e aparentados, os relacionados para a formatura apelavam, como havia eu, mesquinho, semiaceito, de fazer exceção?" (p. 120)
Recordações do escrivão Isaías Caminha - 1917
"Ah! Doutor! Doutor!... Era mágico o título, tinha poderes e alcances múltiplos, vários, polimórficos... Era um pallium [manto que cobre os ombros], era alguma coisa como clâmide sagrada, tecida com um fio tênue e quase imponderável, mas a cujo encontro os elementos, os maus olhares, os exorcismos se quebravam. De posse dela, as gotas da chuva afastar-se-iam transidas do meu corpo, não se animariam a tocar-me nas roupas, no calçado sequer. O invisível distribuidor dos raios solares escolheria os mais meigos para me aquecer, e gastaria os fortes, os inexoráveis, com o comum dos homens que não é doutor. Oh! Ser formado, de anel no dedo, sobrecasaca e cartola, inflado e grosso, como um sapo-entanha antes de ferir a martelada à beira do brejo; andar assim pelas ruas, pelas praças, pelas estradas, pelas salas, recebendo cumprimentos: Doutor, como passou? Como está, doutor? Era sobre-humano!..." (p.75)
"Houve ocasião em que ele exprobrou essa nossa mania de empregos e doutorado, citando os ingleses e os americanos. "Todo mundo quer ser doutor..." Corei indignado e respondi com alguma lógica, que me era impossível romper com ela; se os fortes e aparentados, os relacionados para a formatura apelavam, como havia eu, mesquinho, semiaceito, de fazer exceção?" (p. 120)
Recordações do escrivão Isaías Caminha - 1917
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Sobre a contradição
"Sofia dobrou o papel, não já com tédio, senão com despeito, e por dois motivos que não se contradizem; mas a contradição é deste mundo."
Quincas Borba - Machado de Assis, 1891
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segunda-feira, 17 de julho de 2017
Dos desafios de ser doutor(a) no século XIX
"Estevão era mais ou menos o mesmo homem de dois anos antes. Vinha
cheirando ainda aos cueiros da academia, meio estudante e meio doutor, aliando
em si, como em idade de transição, o estouvamento de um com a dignidade do
outro." (p. 16).
"Guiomar não tinha dificuldade nenhuma em reter o que a mãe lhe ensinava, e com tal afinco lidava por aprender, que a viúva - ao menos nessa parte -, sentia-se venturosa. Hás de ser a minha doutora, dizia-lhe muita vez; e esta simples expressão de ternura alegrava a menina e lhe servia de incentivo à aplicação" (p. 32).
A mão e a luva [1874] - Machado de Assis
"Guiomar não tinha dificuldade nenhuma em reter o que a mãe lhe ensinava, e com tal afinco lidava por aprender, que a viúva - ao menos nessa parte -, sentia-se venturosa. Hás de ser a minha doutora, dizia-lhe muita vez; e esta simples expressão de ternura alegrava a menina e lhe servia de incentivo à aplicação" (p. 32).
A mão e a luva [1874] - Machado de Assis
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Sobre a distinção e o orgulho (repassado de susto)
"Na primeira noite de representação lírica, Fernando levou ao teatro a família. Foi uma festa para as três senhoras; D. Camila, apesar de sua lhaneza e modéstia, sentiu ao atravessar a multidão pelo braço do filho um aroma de orgulho, mas desse orgulho repassado de susto, que é antes a consciência da própria humildade, do que desvanecimento de egoísmo. As filhas partilhavam este sentimento; e acreditavam que todas as outras moças lhe invejavam aquele irmão." (Narrador, p.47)
"O ouro desprende de si não sei que miasmas que produzem febre, e causam vertigens e delírios. É necessário ter um espírito muito forte para resistir a essa infecção" (Aurélia, p. 170)
"Aqueles que se exercitam em jogar as armas, pensam que tudo se decide pela força. O mesmo acontece com o dinheiro. Quem o possui em abundância persuade-se que tudo se compra" (Aurélia, p. 170).
Senhora (1875), José de Alencar (1829-1977)
"[Em Senhora] Trata-se da compra de um marido; e teremos dado um passo adiante se refletirmos que essa compra tem um sentido social simbólico, pois é ao mesmo tempo representação e desmascaramento de costumes vigentes da época, como o casamento por dinheiro. Ao inventar uma situação crua do esposo que se vende em contrato, mediante pagamento estipulado, o romancista desnuda as raízes da relação, isto é, faz uma análise socialmente radical, reduzindo o ato ao seu aspecto essencial de compra e venda." (Antonio Candido in Literatura e Sociedade, Capítulo 1, Crítica e Sociologia).
"O ouro desprende de si não sei que miasmas que produzem febre, e causam vertigens e delírios. É necessário ter um espírito muito forte para resistir a essa infecção" (Aurélia, p. 170)
"Aqueles que se exercitam em jogar as armas, pensam que tudo se decide pela força. O mesmo acontece com o dinheiro. Quem o possui em abundância persuade-se que tudo se compra" (Aurélia, p. 170).
Senhora (1875), José de Alencar (1829-1977)
"[Em Senhora] Trata-se da compra de um marido; e teremos dado um passo adiante se refletirmos que essa compra tem um sentido social simbólico, pois é ao mesmo tempo representação e desmascaramento de costumes vigentes da época, como o casamento por dinheiro. Ao inventar uma situação crua do esposo que se vende em contrato, mediante pagamento estipulado, o romancista desnuda as raízes da relação, isto é, faz uma análise socialmente radical, reduzindo o ato ao seu aspecto essencial de compra e venda." (Antonio Candido in Literatura e Sociedade, Capítulo 1, Crítica e Sociologia).
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sábado, 10 de junho de 2017
ODE AO BURGUÊS
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
O burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
É sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
[...]
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte e infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!
[Paulicéia Desvaira, 1922]
[Mário de Andrade]
O burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
É sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
[...]
Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte e infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!
[Paulicéia Desvaira, 1922]
[Mário de Andrade]
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sexta-feira, 7 de abril de 2017
O Ateneu - o início e o fim
"Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta."
"O tédio é a grande enfermidade da escola, o tédio corruptor que tanto se pode gerar de monotonia do trabalho como da ociosidade"
"Aqui suspendo a crônica das saudades. Saudades verdadeiramente? Puras recordações, saudades talvez, se ponderarmos que o tempo é a ocasião passageira dos fatos, mas sobretudo - o funeral para sempre das horas"
Rio, Janeiro-Março de 1888.
Raul Pompéia (1863-1895)
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Sobre o não casamento de Conceição
"Num relevo mais forte, tão forte quanto nunca o sentira, foi-lhe aparecendo a diferença que havia entre ambos, de gosto, de tendências, de vida. [...] Ele lhe parecia agora como um desses recantos da mata, próximo ao riacho, num sombrio misterioso e confortante. Passando num meio-dia quente, ao trote penoso do cavalo, a gente para ali, olha a sombra e o verde como se fosse para um cantinho de céu...
Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavacado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente.
Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza..."
O Quinze, Rachel de Queiroz, 1930
Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavacado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente.
Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza..."
O Quinze, Rachel de Queiroz, 1930
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
O enfermeiro - Machado de Assis
Adeus, meu caro senhor. Se achara que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, ao qual dará por epitáfio esta emenda que faço aqui ao divino sermão da montanha: "Bem aventurados os que possuem, porque eles serão consolados".
In: Mário de Andrade: seus contos preferidos, Luiz Rufatto (org), Ed. Tinta Negra.
In: Mário de Andrade: seus contos preferidos, Luiz Rufatto (org), Ed. Tinta Negra.
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Mário de Andrade
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
[...] "não se constranja, meu irmão, encontre logo a voz solene que você procura, uma voz potente de reprimenda, pergunte sem demora o que acontece comigo desde sempre, componha gestos, me desconforme depressa a cara, me quebre contra os olhos a velha louça lá de casa", mas me contive [...]
6.
Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura a minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse "para onde estamos indo?" - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: "estamos indo sempre para casa".
"[...] sendo que só os tolos, entre os que foram atirados com displicência ao fundo, tomam de empréstimo aos que estão por cima a régua que estes usam para medir o mundo;"
Lavoura Arcaica, 1975, Raduan Nassar
6.
Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura a minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse "para onde estamos indo?" - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: "estamos indo sempre para casa".
"[...] sendo que só os tolos, entre os que foram atirados com displicência ao fundo, tomam de empréstimo aos que estão por cima a régua que estes usam para medir o mundo;"
Lavoura Arcaica, 1975, Raduan Nassar
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Projeto Minha Literatura Brasileira
1852 – Memórias de um Sargento de Milícias
– Manuel Antonio de Almeida
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1875 – Senhora – José de Alencar
1881 – Memórias Póstumas de Brás Cubas –
Machado de Assis
[1888
– Abolição / 1889 – Proclamação da República]
1888 – O Ateneu – Raul Pompeia
1890 – O Cortiço – Aluísio Azevedo
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1899 – Dom Casmurro – Machado de Assis
1901- A Falência - Júlia Lopes de Almeida
1909 – Recordações do Escrivão Isaias Caminha – Lima Barreto
1911 – Triste Fim de Policarpo Quaresma –
Lima Barreto
1924 – Memórias Sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade
1928 – Macunaíma – Mario de Andrade
1930 – Libertinagem – Manuel Bandeira
1930 – O quinze – Rachel de Queiroz
1934 – São Bernardo – Graciliano Ramos
1937 – Capitães de Areia – Jorge Amado
1938 – Vidas Secas – Graciliano Ramos
1939 – Viagem – Cecília Meireles
1939 – As Três Marias – Rachel de Queiroz
1943 – Perto do Coração Selvagem – Clarice
Lispector
1943 – Fogo Morto - José Lins do Rego
1943 – Vestido de noiva – Nelson Rodrigues
1945 – A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
1947 – Contos Novos – Mario de Andrade
1951- Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
1956 – Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
1958 – Gabriela, Cravo e Canela – Jorge
Amado
1959 – Crônica da Casa Assassinada – Lucio
Cardoso
1960 – Laços de Família – Clarice
Lispector
1962 – Primeiras Estórias – Guimarães Rosa
1964 – A Paixão Segundo GH – Clarice Lispector
1969 – Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
– Clarice Lispector
1973 – As Meninas – Ligia Fagundes Telles
1975 – Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
1977 – A Hora da Estrela – Clarice
Lispector
1977 – Tieta do Agreste – Jorge Amado
1979
– O cobrador – Rubem Fonseca
1979- Anarquistas Graças a
Deus – Zélia Gattai
1982
– A Obscena Senhora D - Hilda Hilst
1984
– Senhora Dona do Baile – Zélia Gattai
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1992 – Memorial de Maria Moura –Rachel de Queiroz
2001
– Eles eram muito cavalos – Luiz Rufatto
2005 – Cinzas do Norte – Milton Hatoum
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
domingo, 27 de dezembro de 2015
Aula - mulheres na literatura brasileira
Maria Firmina dos Reis (MA, 1822-1917)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
Clarice Lispector (Ucrânia, 1920-1977)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
Aula de literatura brasileira - século XIX (em construção)
1890 - O cortiço - Aluísio Azevedo
1889 - Proclamação da República
1888 - Abolição
1881 - Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
1852 - Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antonio de Almeida
Realismo e naturalismo
Rio de Janeiro em 1889
"Em outro estudo sugeri que a Dinâmica das Memórias de um Sargento de Milícias dependia de uma dialética da ordem e da desordem, definindo um mundo algo desligado do mundo, apesar de nutrido da sua realidade. Daí o movimento do bailado e o ar de fábula, num universo onde quase não aparece o trabalho e as obrigações de todo o dia, e onde em consequência o dinheiro brota meio milagrosamente de heranças e subterfúgios, ficando aliás em franco segundo plano.
N'O Cortiço está presente o mundo do trabalho, do lucro, da competição, da exploração econômica visível, que dissolvem a fábula e sua intemporalidade. [...]
Mas então entra em cena um jogo de mediações, que modificam a relação entre ficção e realidade, porque como ficou dito, os fatos narrados tendem a ganhar um segundo sentido, de cunho alegórico. Visto deste ângulo, o cortiço passa a representar também o Brasil [...]"
Antonio Candido, "De cortiço a cortiço"
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