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terça-feira, 4 de julho de 2017
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
[...] "não se constranja, meu irmão, encontre logo a voz solene que você procura, uma voz potente de reprimenda, pergunte sem demora o que acontece comigo desde sempre, componha gestos, me desconforme depressa a cara, me quebre contra os olhos a velha louça lá de casa", mas me contive [...]
6.
Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura a minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse "para onde estamos indo?" - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: "estamos indo sempre para casa".
"[...] sendo que só os tolos, entre os que foram atirados com displicência ao fundo, tomam de empréstimo aos que estão por cima a régua que estes usam para medir o mundo;"
Lavoura Arcaica, 1975, Raduan Nassar
6.
Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura a minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse "para onde estamos indo?" - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: "estamos indo sempre para casa".
"[...] sendo que só os tolos, entre os que foram atirados com displicência ao fundo, tomam de empréstimo aos que estão por cima a régua que estes usam para medir o mundo;"
Lavoura Arcaica, 1975, Raduan Nassar
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Raduan Nassar
domingo, 31 de julho de 2016
órfã
é um dilaceramento
é um chão de fundo oco, que pode se quebrar
é um medo constante de se tornar inviável
é um vazio que não se preenche, apenas se esquece.
mesmo tendo mãe e pai
tenho não tenho. tenho não tenho.
tenho irmã. tenho filho. tenho até marido. estou tão sozinha esperando o dia que ficarei sozinha, insuportável, quero não quero. quero não quero. morro vivo morro.
vivo.
é um chão de fundo oco, que pode se quebrar
é um medo constante de se tornar inviável
é um vazio que não se preenche, apenas se esquece.
mesmo tendo mãe e pai
tenho não tenho. tenho não tenho.
tenho irmã. tenho filho. tenho até marido. estou tão sozinha esperando o dia que ficarei sozinha, insuportável, quero não quero. quero não quero. morro vivo morro.
vivo.
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domingo, 6 de setembro de 2015
Os laços de família
"A filha observava divertida. Ninguém mais pode te amar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; e o peso da responsabilidade deu-lhe a boca um gosto de sangue. Como se "mãe e filha" fosse vida e repugnância. Não, não se podia dizer que amava a sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso."
Conto Os Laços de Família - Clarice Lispector
Conto Os Laços de Família - Clarice Lispector
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domingo, 15 de março de 2015
História de Família
Minha história de família,
dói como uma ferida aberta,
mas não sangra mais.
Minha história é minha e só minha,
e também de minha irmã.
Tem afetos, amores, traições, abandonos, choros e loucuras.
Tem mãe, pai, cunhada, avó paterna, duas filhas.
E muitas instabilidades.
Minha história de família
à tona outra vez.
Não sei se a enfrento ou se me escondo
diante de tanto revés.
É o pai que amou a cunhada e abandonou a mãe que ficou triste quase louca, e as filhas criadas pela avó que cuidou e amou, não sem dó. É um eu que se fez assim um pouco torto e tenta ser firme mas também acha que pode ficar tonto. É muita coisa incerta e doída mas que afinal com um pouco de sensibilidade e instinto, quem sabe é que não vira poesia.
dói como uma ferida aberta,
mas não sangra mais.
Minha história é minha e só minha,
e também de minha irmã.
Tem afetos, amores, traições, abandonos, choros e loucuras.
Tem mãe, pai, cunhada, avó paterna, duas filhas.
E muitas instabilidades.
Minha história de família
à tona outra vez.
Não sei se a enfrento ou se me escondo
diante de tanto revés.
É o pai que amou a cunhada e abandonou a mãe que ficou triste quase louca, e as filhas criadas pela avó que cuidou e amou, não sem dó. É um eu que se fez assim um pouco torto e tenta ser firme mas também acha que pode ficar tonto. É muita coisa incerta e doída mas que afinal com um pouco de sensibilidade e instinto, quem sabe é que não vira poesia.
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