"Em Orã, porém, os excessos do clima, a importância dos negócios, a insignificância do cenário, a rapidez do crepúsculo e a qualidade dos prazeres, tudo exige boa saúde. Lá o doente fica muito só. O que dizer então daquele que vai morrer, apanhado na armadilha por detrás das paredes crepitantes de calor, enquanto, no mesmo minuto, toda uma população, ao telefone ou nos cafés, fala de câmbio, de notas fiscais ou de descontos?" (p.11)
"A palavra “peste” acabava de ser pronunciada pela primeira vez.[...]. Os flagelos, na verdade, são uma coisa comum, mas é difícil acreditar neles quando se abatem sobre nós. Houve no mundo tantas pestes quanto guerras. E contudo, as pestes, como as guerras, encontram sempre as pessoas igualmente desprevenidas. [...] Quando estoura uma guerra, as pessoas dizem: “Não vai durar muito, seria idiota”. E sem dúvida uma guerra é uma tolice, o que não a impede de durar. A tolice insiste sempre, e nós a compreenderíamos se não pensássemos sempre em nós. Nossos concidadãos, a esse respeito, eram como todo mundo: pensavam em si próprios. [...] Nossos concidadãos não eram mais culpados que os outros. Apenas se esqueciam de ser modestos e pensavam que tudo ainda era possível para eles, o que pressupunha que os flagelos eram impossíveis. Continuavam a fazer negócios, preparavam viagens e tinham opiniões. Como poderiam ter pensado na peste, que suprime o futuro, os deslocamentos e as discussões?" (p. 40).
"“E assim, encalhados a meia distância entre esses abismos e esses cumes, mais flutuavam que viviam, abandonados a dias sem rumo e recordações estéreis, sombras errantes, incapazes de se fortalecerem a não ser aceitando enraizar-se na terra de sua própria dor.”
A Peste - Albert Camus (1947)
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sexta-feira, 3 de julho de 2020
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Pensamento bobinho nas nuvens
A vida da gente, talvez, seja como um rio visto sob diferentes perspectivas.
Visto da margem, dá a impressão que o rio está indo seguro, com tanta água, rumo a algum lugar certeiro.
Provavelmente o mar, como aprendemos na escola.
Do céu, vemos que não.
Olhando pela janelinha do avião, oh rio, quantas curvas inúteis, serpenteia um pouquinho melancólico.
Mas é essa a sua verdadeira natureza: errante, bonito, espontâneo e vital.
Visto da margem, dá a impressão que o rio está indo seguro, com tanta água, rumo a algum lugar certeiro.
Provavelmente o mar, como aprendemos na escola.
Do céu, vemos que não.
Olhando pela janelinha do avião, oh rio, quantas curvas inúteis, serpenteia um pouquinho melancólico.
Mas é essa a sua verdadeira natureza: errante, bonito, espontâneo e vital.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Pane
Relativismo
O pai
A prova
Evangelismo
Política
Disciplina
(Falta de) Desejo
O filho
O trabalho
Dinheiro
Mundo tradicional
Mundo moderno
Indivíduo
Indivídua
Tempo
Inteligência
Erudição
Mediocridade
Eu
O outro
É você se olhar no espelho, se sentir um grandíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal.
O pai
A prova
Evangelismo
Política
Disciplina
(Falta de) Desejo
O filho
O trabalho
Dinheiro
Mundo tradicional
Mundo moderno
Indivíduo
Indivídua
Tempo
Inteligência
Erudição
Mediocridade
Eu
O outro
É você se olhar no espelho, se sentir um grandíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Acaso
Se, por acaso, algo inesperado e novo surge diante de nós - um livro, um amigo, uma receita,
É o caso de prestar atenção:
Sem o acaso somos bobos somos máquinas
A andar na contramão.
É o caso de prestar atenção:
Sem o acaso somos bobos somos máquinas
A andar na contramão.
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