"Num relevo mais forte, tão forte quanto nunca o sentira, foi-lhe aparecendo a diferença que havia entre ambos, de gosto, de tendências, de vida. [...] Ele lhe parecia agora como um desses recantos da mata, próximo ao riacho, num sombrio misterioso e confortante. Passando num meio-dia quente, ao trote penoso do cavalo, a gente para ali, olha a sombra e o verde como se fosse para um cantinho de céu...
Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavacado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente.
Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza..."
O Quinze, Rachel de Queiroz, 1930
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Projeto Minha Literatura Brasileira
1852 – Memórias de um Sargento de Milícias
– Manuel Antonio de Almeida
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1875 – Senhora – José de Alencar
1881 – Memórias Póstumas de Brás Cubas –
Machado de Assis
[1888
– Abolição / 1889 – Proclamação da República]
1888 – O Ateneu – Raul Pompeia
1890 – O Cortiço – Aluísio Azevedo
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1899 – Dom Casmurro – Machado de Assis
1901- A Falência - Júlia Lopes de Almeida
1909 – Recordações do Escrivão Isaias Caminha – Lima Barreto
1911 – Triste Fim de Policarpo Quaresma –
Lima Barreto
1924 – Memórias Sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade
1928 – Macunaíma – Mario de Andrade
1930 – Libertinagem – Manuel Bandeira
1930 – O quinze – Rachel de Queiroz
1934 – São Bernardo – Graciliano Ramos
1937 – Capitães de Areia – Jorge Amado
1938 – Vidas Secas – Graciliano Ramos
1939 – Viagem – Cecília Meireles
1939 – As Três Marias – Rachel de Queiroz
1943 – Perto do Coração Selvagem – Clarice
Lispector
1943 – Fogo Morto - José Lins do Rego
1943 – Vestido de noiva – Nelson Rodrigues
1945 – A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
1947 – Contos Novos – Mario de Andrade
1951- Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
1956 – Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
1958 – Gabriela, Cravo e Canela – Jorge
Amado
1959 – Crônica da Casa Assassinada – Lucio
Cardoso
1960 – Laços de Família – Clarice
Lispector
1962 – Primeiras Estórias – Guimarães Rosa
1964 – A Paixão Segundo GH – Clarice Lispector
1969 – Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
– Clarice Lispector
1973 – As Meninas – Ligia Fagundes Telles
1975 – Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
1977 – A Hora da Estrela – Clarice
Lispector
1977 – Tieta do Agreste – Jorge Amado
1979
– O cobrador – Rubem Fonseca
1979- Anarquistas Graças a
Deus – Zélia Gattai
1982
– A Obscena Senhora D - Hilda Hilst
1984
– Senhora Dona do Baile – Zélia Gattai
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1992 – Memorial de Maria Moura –Rachel de Queiroz
2001
– Eles eram muito cavalos – Luiz Rufatto
2005 – Cinzas do Norte – Milton Hatoum
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
sábado, 5 de março de 2016
"Às noites, tornava a sentir a velha vontade de me matar. Uma vontade quase lírica, sem possibilidades de realização, decerto, mas que voltava a me tomar longas horas nas insônias; via o veneno no frasco, imaginava o golpe seco do punhal, depois a felicidade de ir me extinguindo, de sentir a vida fugindo devagarinho, como o sangue a pingar do pulso navalhado.
Para mim, pobre pequena, que na idade dos sonhos e das esperanças não sentia mais esperanças nem sonhos e me via num desespero gratuito, inteiramente só no mundo imenso, sem solução e sem destino, a morte parecia o porto, a tranquilidade, o limite. O que é difícil, entretanto, é me explicar direito, porque o tema já traz em si uma carga centenária de banalidade, é uma espécie de lugar-comum da tristeza humana, literária ou vivida.
Na morte voluntária, o que sempre me apavorou, naquele tempo como hoje, é essa tragicômica publicidade que a reveste. E a mim que sempre tive tão profunda aquela necessidade da morte, sempre me inspirou horror a ideia de dar também espetáculo para a plateia que fica, do odioso sensacionalismo do gesto, que é como um impudor póstumo.
E porque não me esquecia disso, cuidava então nas mortes discretas [...]
Rachel de Queiroz - As Três Marias [1939]
Para mim, pobre pequena, que na idade dos sonhos e das esperanças não sentia mais esperanças nem sonhos e me via num desespero gratuito, inteiramente só no mundo imenso, sem solução e sem destino, a morte parecia o porto, a tranquilidade, o limite. O que é difícil, entretanto, é me explicar direito, porque o tema já traz em si uma carga centenária de banalidade, é uma espécie de lugar-comum da tristeza humana, literária ou vivida.
Na morte voluntária, o que sempre me apavorou, naquele tempo como hoje, é essa tragicômica publicidade que a reveste. E a mim que sempre tive tão profunda aquela necessidade da morte, sempre me inspirou horror a ideia de dar também espetáculo para a plateia que fica, do odioso sensacionalismo do gesto, que é como um impudor póstumo.
E porque não me esquecia disso, cuidava então nas mortes discretas [...]
Rachel de Queiroz - As Três Marias [1939]
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
"E eu, eu já não tinha sonhos. Conhecer o quê? Homens se debatendo. Não, já não sonho com isso. Talvez eu queira ainda viver - viver certas horas. Para o mais, já gastei minhas curiosidades todas, desiludi-me depressa."
Maria Augusta
Rachel de Queiroz, 1939, As três Marias
Maria Augusta
Rachel de Queiroz, 1939, As três Marias
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domingo, 27 de dezembro de 2015
Aula - mulheres na literatura brasileira
Maria Firmina dos Reis (MA, 1822-1917)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
Clarice Lispector (Ucrânia, 1920-1977)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
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