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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Sobre o não casamento de Conceição

"Num relevo mais forte, tão forte quanto nunca o sentira, foi-lhe aparecendo a diferença que havia entre ambos, de gosto, de tendências, de vida. [...] Ele lhe parecia agora como um desses recantos da mata, próximo ao riacho, num sombrio misterioso e confortante. Passando num meio-dia quente, ao trote penoso do cavalo, a gente para ali, olha a sombra e o verde como se fosse para um cantinho de céu...
Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavacado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente.
Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza..."

O Quinze, Rachel de Queiroz, 1930


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Projeto Minha Literatura Brasileira


1852 – Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel Antonio de Almeida
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1875 – Senhora – José de Alencar
1881 – Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
[1888 – Abolição / 1889 – Proclamação da República]
1888 – O Ateneu – Raul Pompeia
1890 – O Cortiço – Aluísio Azevedo
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1899 – Dom Casmurro – Machado de Assis

1901- A Falência - Júlia Lopes de Almeida
1909 – Recordações do Escrivão Isaias Caminha – Lima Barreto

1911 – Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

1924 – Memórias Sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade
1928 – Macunaíma – Mario de Andrade

1930 – Libertinagem – Manuel Bandeira
1930 – O quinze – Rachel de Queiroz
1934 – São Bernardo – Graciliano Ramos
1937 – Capitães de Areia – Jorge Amado
1938 – Vidas Secas – Graciliano Ramos
1939 – Viagem – Cecília Meireles
1939 – As Três Marias – Rachel de Queiroz

1943 – Perto do Coração Selvagem – Clarice Lispector
1943 – Fogo Morto - José Lins do Rego
1943 – Vestido de noiva – Nelson Rodrigues
1945 – A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
1947 – Contos Novos – Mario de Andrade

1951- Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
1956 – Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
1958 – Gabriela, Cravo e Canela – Jorge Amado
1959 – Crônica da Casa Assassinada – Lucio Cardoso

1960 – Laços de Família – Clarice Lispector
1962 – Primeiras Estórias – Guimarães Rosa
1964 – A Paixão Segundo GH – Clarice Lispector

1969 – Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres – Clarice Lispector

1973 – As Meninas – Ligia Fagundes Telles
1975 – Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
1977 – A Hora da Estrela – Clarice Lispector
1977 – Tieta do Agreste – Jorge Amado
1979 – O cobrador – Rubem Fonseca
1979-  Anarquistas Graças a Deus – Zélia Gattai

1982 – A Obscena Senhora D - Hilda Hilst
1984 – Senhora Dona do Baile – Zélia Gattai
1989 - Boca do Inferno  - Ana Miranda

1992 – Memorial de Maria Moura –Rachel de Queiroz

2001 – Eles eram muito cavalos – Luiz Rufatto

2005 – Cinzas do Norte – Milton Hatoum 

2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende

sábado, 5 de março de 2016

"Às noites, tornava a sentir a velha vontade de me matar. Uma vontade quase lírica, sem possibilidades de realização, decerto, mas que voltava a me tomar longas horas nas insônias; via o veneno no frasco, imaginava o golpe seco do punhal, depois a felicidade de ir me extinguindo, de sentir a vida fugindo devagarinho, como o sangue a pingar do pulso navalhado.
Para mim, pobre pequena, que na idade dos sonhos e das esperanças não sentia mais esperanças nem sonhos e me via num desespero gratuito, inteiramente só no mundo imenso, sem solução e sem destino, a morte parecia o porto, a tranquilidade, o limite. O que é difícil, entretanto, é me explicar direito, porque o tema já traz em si uma carga centenária de banalidade, é uma espécie de lugar-comum da tristeza humana, literária ou vivida.
Na morte voluntária, o que sempre me apavorou, naquele tempo como hoje, é essa tragicômica publicidade que a reveste. E a mim que sempre tive tão profunda aquela necessidade da morte, sempre me inspirou horror a ideia de dar também espetáculo para a plateia que fica, do odioso sensacionalismo do gesto, que é como um impudor póstumo.
E porque não me esquecia disso, cuidava então nas mortes discretas [...]

Rachel de Queiroz - As Três Marias [1939]


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"E eu, eu já não tinha sonhos. Conhecer o quê? Homens se debatendo. Não, já não sonho com isso. Talvez eu queira ainda viver - viver certas horas. Para o mais, já gastei minhas curiosidades todas, desiludi-me depressa."

Maria Augusta
Rachel de Queiroz, 1939, As três Marias

domingo, 27 de dezembro de 2015

Aula - mulheres na literatura brasileira

Maria Firmina dos Reis (MA, 1822-1917)
- Úrsula (1859)

Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)


Cora Coralina (GO, 1889-1985)

Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)

Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)

Zélia Gattai (SP, 1916-2008)

Clarice Lispector (Ucrânia, 1920-1977)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)

Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)

Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)

Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti

Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)

Conceição Evaristo (MG, 1946)

Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)

Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)