"É que tudo que eu tenho não se pode dar. Nem tomar. Eu mesma posso morrer de sede diante de mim. A solidão está misturada à minha essência..."
Perto do Coração Selvagem, C.L., 1943
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sábado, 25 de novembro de 2017
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
- Guria, guria, muria, leria, seria..., cantava o homem voltado para Joana. Que é que tu vais ser quando cresceres e fores uma moça e tudo?
- Quanto ao tudo ela não tem a menor ideia, meu caro, declarava o pai, mas se ela não se zangar te conto seus projetos. Me disse que quando crescer vai ser herói...
O homem riu, riu, riu. Parou de repente, segurou o queixo de Joana e enquanto ele segurava ela não podia mastigar:
- Não vai chorar pelo segredo revelado, não é, guria?
Perto do Coração Selvagem, 1943, C.L.
- Quanto ao tudo ela não tem a menor ideia, meu caro, declarava o pai, mas se ela não se zangar te conto seus projetos. Me disse que quando crescer vai ser herói...
O homem riu, riu, riu. Parou de repente, segurou o queixo de Joana e enquanto ele segurava ela não podia mastigar:
- Não vai chorar pelo segredo revelado, não é, guria?
Perto do Coração Selvagem, 1943, C.L.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Projeto Minha Literatura Brasileira
1852 – Memórias de um Sargento de Milícias
– Manuel Antonio de Almeida
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1875 – Senhora – José de Alencar
1881 – Memórias Póstumas de Brás Cubas –
Machado de Assis
[1888
– Abolição / 1889 – Proclamação da República]
1888 – O Ateneu – Raul Pompeia
1890 – O Cortiço – Aluísio Azevedo
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1899 – Dom Casmurro – Machado de Assis
1901- A Falência - Júlia Lopes de Almeida
1909 – Recordações do Escrivão Isaias Caminha – Lima Barreto
1911 – Triste Fim de Policarpo Quaresma –
Lima Barreto
1924 – Memórias Sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade
1928 – Macunaíma – Mario de Andrade
1930 – Libertinagem – Manuel Bandeira
1930 – O quinze – Rachel de Queiroz
1934 – São Bernardo – Graciliano Ramos
1937 – Capitães de Areia – Jorge Amado
1938 – Vidas Secas – Graciliano Ramos
1939 – Viagem – Cecília Meireles
1939 – As Três Marias – Rachel de Queiroz
1943 – Perto do Coração Selvagem – Clarice
Lispector
1943 – Fogo Morto - José Lins do Rego
1943 – Vestido de noiva – Nelson Rodrigues
1945 – A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
1947 – Contos Novos – Mario de Andrade
1951- Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
1956 – Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
1958 – Gabriela, Cravo e Canela – Jorge
Amado
1959 – Crônica da Casa Assassinada – Lucio
Cardoso
1960 – Laços de Família – Clarice
Lispector
1962 – Primeiras Estórias – Guimarães Rosa
1964 – A Paixão Segundo GH – Clarice Lispector
1969 – Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
– Clarice Lispector
1973 – As Meninas – Ligia Fagundes Telles
1975 – Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
1977 – A Hora da Estrela – Clarice
Lispector
1977 – Tieta do Agreste – Jorge Amado
1979
– O cobrador – Rubem Fonseca
1979- Anarquistas Graças a
Deus – Zélia Gattai
1982
– A Obscena Senhora D - Hilda Hilst
1984
– Senhora Dona do Baile – Zélia Gattai
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1992 – Memorial de Maria Moura –Rachel de Queiroz
2001
– Eles eram muito cavalos – Luiz Rufatto
2005 – Cinzas do Norte – Milton Hatoum
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
"Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir."
Descoberta do Mundo, Clarice Lispector
Descoberta do Mundo, Clarice Lispector
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domingo, 27 de dezembro de 2015
Aula - mulheres na literatura brasileira
Maria Firmina dos Reis (MA, 1822-1917)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
Clarice Lispector (Ucrânia, 1920-1977)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
domingo, 6 de setembro de 2015
Os laços de família
"A filha observava divertida. Ninguém mais pode te amar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; e o peso da responsabilidade deu-lhe a boca um gosto de sangue. Como se "mãe e filha" fosse vida e repugnância. Não, não se podia dizer que amava a sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso."
Conto Os Laços de Família - Clarice Lispector
Conto Os Laços de Família - Clarice Lispector
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Era, outra vez em quando, a Alegria.
Guimarães Rosa
Primeiras Estórias
PERHAPPINESS
Leminski
Felicidade,
Não existe,
O que existe na vida
São momentos felizes.
Odair José
A felicidade sempre iria ser clandestina para mim.
Clarice Lispector
Guimarães Rosa
Primeiras Estórias
PERHAPPINESS
Leminski
Felicidade,
Não existe,
O que existe na vida
São momentos felizes.
Odair José
A felicidade sempre iria ser clandestina para mim.
Clarice Lispector
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Odair José
domingo, 15 de março de 2015
Anonimato
Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho. Aliás eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro. Eu queria ficar calada. Há coisas que nunca escrevi e morrerei sem tê-las escrito. Essas por dinheiro nenhum. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.
Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo
Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo
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sábado, 20 de setembro de 2014
A HORA DA ESTRELA - OU - QUANTO AO FUTURO
"Teria ela a sensação de que vivia para nada? Nem posso saber, mas acho que não. Só uma vez se fez uma trágica pergunta: quem sou eu? Assustou-se tanto que parou completamente de pensar. Mas eu, que não chego a ser ela, sinto que vivo para nada. Sou gratuito e pago as contas de luz, gás, telefone."
Clarice Lispector, A Hora da Estrela (1998: 32)
"Pensando bem: quem não é um acaso na vida?"
(1998:36)
"Guardava disso segredo absoluto, o que lhe dava a força que um segredo dá."
(1998: 57)
Clarice Lispector, A Hora da Estrela (1998: 32)
"Pensando bem: quem não é um acaso na vida?"
(1998:36)
"Guardava disso segredo absoluto, o que lhe dava a força que um segredo dá."
(1998: 57)
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Genéricas CL
Organizar o quarto, lençóis limpos, abajur aceso. Deito sobre a cama com as costas no travesseiro contra a parede e pego o livro. A mediocridade esclarecida de Lóri me conforta. Como me conforta! Sinto uma identificação dupla, com a personagem e com a escritora e, assim, sinto-me mais próxima de mim. Estranha e tosca sensação.
Penso então que ela não é só minha.
O número explosivo de teses e dissertações sobre Clarice Lispector alimentam essa hipótese. Fora as centenas de livros escritos que copiam o seu estilo.
Tudo ruim.
Não importa.
O que importa é nos salvar, nós, genéricas.
Dentro de cada gaiola, encontrar um pouco de poesia e conforto intelectual.
Penso então que ela não é só minha.
O número explosivo de teses e dissertações sobre Clarice Lispector alimentam essa hipótese. Fora as centenas de livros escritos que copiam o seu estilo.
Tudo ruim.
Não importa.
O que importa é nos salvar, nós, genéricas.
Dentro de cada gaiola, encontrar um pouco de poesia e conforto intelectual.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Clarice III
"Um domingo de tarde sozinha em casa dobrei-me em dois para a frente - como em dores do parto - e vi que a menina em mim estava morrendo. Nunca esquecerei esse domingo. Para cicatrizar levou dias. E eis-me aqui. Dura, silenciosa, heróica. Sem menina dentro de mim."
Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo
[Ler Clarice era como um perdão...]
Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo
[Ler Clarice era como um perdão...]
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Descoberta do Mundo 2
"SIM
Eu disse a uma amiga:
- A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
- Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim."
Clarice Lispector - Descoberta do Mundo
Eu disse a uma amiga:
- A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
- Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim."
Clarice Lispector - Descoberta do Mundo
Descoberta do mundo
Somos quase amigas, quase íntimas, Clara - posso te chamar assim?
Pena que está morta - o que na verdade me consola. Assim não somos concorrentes.
O que mais gosto nesse livro é saber que você é de osso, assim como eu. Muito mais do que eu. E escreve mal às vezes. Como isso é bonito.
Me conforta. Sua sensibilidade inteligente, o seu não entender, os seus filhos. Você é mãe. Serei um dia?
"Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante". E eu confio no seu jogo, espero que eu também confie no meu.
Pena que está morta - o que na verdade me consola. Assim não somos concorrentes.
O que mais gosto nesse livro é saber que você é de osso, assim como eu. Muito mais do que eu. E escreve mal às vezes. Como isso é bonito.
Me conforta. Sua sensibilidade inteligente, o seu não entender, os seus filhos. Você é mãe. Serei um dia?
"Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante". E eu confio no seu jogo, espero que eu também confie no meu.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A paixão segundo G.H.
"O mundo independia de mim - esta era a confiança a que eu tinha chegado: o mundo independia de mim, e não estou entendendo o que estou dizendo, nunca! nunca mais compreenderei o que eu disser. Pois como poderia eu dizer sem que a palavra mentisse por mim? como poderei dizer senão timidamente assim: a vida se me é. A vida se me é, e eu não entendo o que digo. E então adoro.------"
Clarice
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