[...]
Ele, Mário, me diz: é preciso
flanar...
Eu digo a ele - ó Mário,
era o que eu ia te falar
É preciso flanar em ruas
- os passos levando sempre
para nenhum lugar
E Mário me diz: - Poeta,
nenhum-lugar é o melhor
lugar de um poeta chegar
[...]
Manoel de Barros
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sexta-feira, 6 de junho de 2014
José (Drummond)
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
[...]
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
[...]
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Decoro
Eles a querem.
Ela, decente, sorri.
Quanta decência.
Como ela é decente.
que ainda está em jogo.
o jogo.
ridículo
- é o único que ela tem -
mas ela gosta, é boazinha, é indecente, sabe se comportar.
Ela, decente, sorri.
Quanta decência.
Como ela é decente.
que ainda está em jogo.
o jogo.
ridículo
- é o único que ela tem -
mas ela gosta, é boazinha, é indecente, sabe se comportar.
domingo, 4 de maio de 2014
Destino
então era isso, deus?
quem joga os dados.
então não éramos dois.
finda a dúvida
e não há mais pra depois.
quem joga os dados.
então não éramos dois.
finda a dúvida
e não há mais pra depois.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Noite de Natal
Noite de Natal.
Estou bonita que é um desperdício.
Não sinto nada
Não sinto nada, mamãe
Esqueci
Menti de dia
Antigamente eu sabia escrever
Hoje beijo os pacientes na entrada e na saída
com desvelo técnico.
Freud e eu brigamos muito.
Irene no céu desmente: deixou de
trepar aos 45 anos
Entretanto sou moça
estreando um bico fino que anda feio,
pisa mais que deve,
me leva indesejável pra perto das
botas pretas
pudera
Ana Cristina César
Estou bonita que é um desperdício.
Não sinto nada
Não sinto nada, mamãe
Esqueci
Menti de dia
Antigamente eu sabia escrever
Hoje beijo os pacientes na entrada e na saída
com desvelo técnico.
Freud e eu brigamos muito.
Irene no céu desmente: deixou de
trepar aos 45 anos
Entretanto sou moça
estreando um bico fino que anda feio,
pisa mais que deve,
me leva indesejável pra perto das
botas pretas
pudera
Ana Cristina César
segunda-feira, 24 de março de 2014
Vida alheia
Edu-dudu-ardo
O conheci na esquina
Sem uma perna, os braços no lugar, a cabeça grande e o coração quase caindo.
Morreu sem ter morrido
E ressuscitou.
Com a ajuda de amigos.
Agora, quem saberá ao certo, foi acolhido por anjos
Franciscanos, com pombas nos ombros e coroas na cabeça.
Desde já, agradeço.
O conheci na esquina
Sem uma perna, os braços no lugar, a cabeça grande e o coração quase caindo.
Morreu sem ter morrido
E ressuscitou.
Com a ajuda de amigos.
Agora, quem saberá ao certo, foi acolhido por anjos
Franciscanos, com pombas nos ombros e coroas na cabeça.
Desde já, agradeço.
Obra de arte
O principal problema do poeta
é acreditar que suas emoções são tão importantes.
Silêncio!
Temos que ouvir as emoções do poeta.
é acreditar que suas emoções são tão importantes.
Silêncio!
Temos que ouvir as emoções do poeta.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Recuperação da Adolescência
é sempre mais difícil
ancorar um navio no espaço
(Ana Cristina César)
ancorar um navio no espaço
(Ana Cristina César)
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Ana Cristina César,
autoanálise,
juventude
sábado, 2 de novembro de 2013
Escolhas
Angústia despolitizada.
Perpassa classe, cor, gênero e o que mais que o valha.
A minha condição humana. A sua. A nossa.
Variações mais ou menos agudas de dramas comuns.
Escolher uma coisa é sempre abrir mão de outra. E nenhum caminho leva a felicidade plena.
Pessimista?
Não, não, sou bem otimista. Porque se fosse só isso, estava bom.
Perpassa classe, cor, gênero e o que mais que o valha.
A minha condição humana. A sua. A nossa.
Variações mais ou menos agudas de dramas comuns.
Escolher uma coisa é sempre abrir mão de outra. E nenhum caminho leva a felicidade plena.
Pessimista?
Não, não, sou bem otimista. Porque se fosse só isso, estava bom.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Normalidade irritatória
O que me falta é paciência.
Irritação, sobra.
Estou doente?
Maníacodepressivabipolarhiperativaansiosaqualquercoisaqueovalhaquetechamemdelouca
Nada, nada.
Estou normal.
Mais normal do que nunca.
Irritação, sobra.
Estou doente?
Maníacodepressivabipolarhiperativaansiosaqualquercoisaqueovalhaquetechamemdelouca
Nada, nada.
Estou normal.
Mais normal do que nunca.
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