"são para se ter medo, os espelhos"
Guimarães Rosa, Primeiras Estórias, "O espelho"
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sábado, 20 de setembro de 2014
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Pane
Relativismo
O pai
A prova
Evangelismo
Política
Disciplina
(Falta de) Desejo
O filho
O trabalho
Dinheiro
Mundo tradicional
Mundo moderno
Indivíduo
Indivídua
Tempo
Inteligência
Erudição
Mediocridade
Eu
O outro
É você se olhar no espelho, se sentir um grandíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal.
O pai
A prova
Evangelismo
Política
Disciplina
(Falta de) Desejo
O filho
O trabalho
Dinheiro
Mundo tradicional
Mundo moderno
Indivíduo
Indivídua
Tempo
Inteligência
Erudição
Mediocridade
Eu
O outro
É você se olhar no espelho, se sentir um grandíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Certa vez
Para Roberta
Vez por outra
Vez por outra
ela busca
a garota
de outrora
vez por outra
assim
assim
de mim
vai embora.
Outra vez
graças a Deus
ela volta.
Retorna
fortalecida.
Com um
segredo:
novamente
a vida
tem vez
nela.
Cada vez,
mulher crescida,
se encontra
mulher crescida,
se encontra
mais bela.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
[trecho de] Tabacaria
[...]
- Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Álvaro de Campos
15 de janeiro de 1928
Ralo
água, transparente,
elétrico, chuveiro,
enchendo o cérebro, e penso: poesia é modo de, alerta, tudo aceso, tudo ligado-desligado, estando só.
as costas oleosas, a mão já seca de tanto sabão
é segredo.
elétrico, chuveiro,
enchendo o cérebro, e penso: poesia é modo de, alerta, tudo aceso, tudo ligado-desligado, estando só.
as costas oleosas, a mão já seca de tanto sabão
é segredo.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Céu
A criança olha
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
crê que não o alcança,
Quando o tem na mão.
Manuel Bandeira - Belo Belo
Para o céu azul.
Levanta a mãozinha,
quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
crê que não o alcança,
Quando o tem na mão.
Manuel Bandeira - Belo Belo
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Belo Belo
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou - de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo da noite.
Belo belo belo
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra dá só com trabalho.
Ás dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
Manuel Bandeira - Lira dos Cinquent'anos
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou - de tantas estrelas cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo da noite.
Belo belo belo
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra dá só com trabalho.
Ás dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
Manuel Bandeira - Lira dos Cinquent'anos
Trecho de "Na Rua Mário de Andrade"
[...]
Ele, Mário, me diz: é preciso
flanar...
Eu digo a ele - ó Mário,
era o que eu ia te falar
É preciso flanar em ruas
- os passos levando sempre
para nenhum lugar
E Mário me diz: - Poeta,
nenhum-lugar é o melhor
lugar de um poeta chegar
[...]
Manoel de Barros
Ele, Mário, me diz: é preciso
flanar...
Eu digo a ele - ó Mário,
era o que eu ia te falar
É preciso flanar em ruas
- os passos levando sempre
para nenhum lugar
E Mário me diz: - Poeta,
nenhum-lugar é o melhor
lugar de um poeta chegar
[...]
Manoel de Barros
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José (Drummond)
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
[...]
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
[...]
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Decoro
Eles a querem.
Ela, decente, sorri.
Quanta decência.
Como ela é decente.
que ainda está em jogo.
o jogo.
ridículo
- é o único que ela tem -
mas ela gosta, é boazinha, é indecente, sabe se comportar.
Ela, decente, sorri.
Quanta decência.
Como ela é decente.
que ainda está em jogo.
o jogo.
ridículo
- é o único que ela tem -
mas ela gosta, é boazinha, é indecente, sabe se comportar.
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