A casa foi vendida com todas as lembranças
todos os móveis todos os pesadelos
todos os pecados cometidos ou em via de cometer
a casa foi vendida com seu bater de portas
com seu vento encanado com sua vista do mundo
seus imponderáveis
por vinte, vinte contos.
Carlos Drummond de Andrade - Boitempo, 1968
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sábado, 9 de janeiro de 2016
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Das contradições do dinheiro
"Ainda que seja covarde, é valente aquele que pode comprar a valentia"
Karl Marx, Manuscritos Econômico-filosóficos, 1844
Karl Marx, Manuscritos Econômico-filosóficos, 1844
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domingo, 27 de dezembro de 2015
Aula - mulheres na literatura brasileira
Maria Firmina dos Reis (MA, 1822-1917)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
Clarice Lispector (Ucrânia, 1920-1977)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
- Úrsula (1859)
Júlia Lopes de Almeida (RJ, 1862-1934)
- A Falência (1901)
Cora Coralina (GO, 1889-1985)
Cecília Meireles (RJ, 1901-1964)
- Viagem (1939)
Rachel de Queiroz (CE, 1910-2003)
- O quinze (1930)
- As três marias (1939)
- Primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1977
- Memorial de Maria Moura (1992)
Zélia Gattai (SP, 1916-2008)
- Perto do coração selvagem (1943)
- A Hora da Estrela (1977)
Lygia Fagundes Telles (SP, 1923)
- As Meninas (1973, Jabuti em 1974)
Hilda Hist (SP, 1930-2004)
- A obscena senhora D (1986)
Adélia Prado (MG, 1935-)
- Bagagem (1976)
- O coração disparado (1978) - vencedor do Jabuti
Ana Miranda (CE, 1951)
- Boca do Inferno (1989)
Conceição Evaristo (MG, 1946)
Ana Cristina César (RJ, 1952-1983)
Maria Valéria Rezende (SP, 1942)
- Quarenta Dias (2014)
Aula de literatura brasileira - século XIX (em construção)
1890 - O cortiço - Aluísio Azevedo
1889 - Proclamação da República
1888 - Abolição
1881 - Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
1852 - Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antonio de Almeida
Realismo e naturalismo
Rio de Janeiro em 1889
"Em outro estudo sugeri que a Dinâmica das Memórias de um Sargento de Milícias dependia de uma dialética da ordem e da desordem, definindo um mundo algo desligado do mundo, apesar de nutrido da sua realidade. Daí o movimento do bailado e o ar de fábula, num universo onde quase não aparece o trabalho e as obrigações de todo o dia, e onde em consequência o dinheiro brota meio milagrosamente de heranças e subterfúgios, ficando aliás em franco segundo plano.
N'O Cortiço está presente o mundo do trabalho, do lucro, da competição, da exploração econômica visível, que dissolvem a fábula e sua intemporalidade. [...]
Mas então entra em cena um jogo de mediações, que modificam a relação entre ficção e realidade, porque como ficou dito, os fatos narrados tendem a ganhar um segundo sentido, de cunho alegórico. Visto deste ângulo, o cortiço passa a representar também o Brasil [...]"
Antonio Candido, "De cortiço a cortiço"
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
bluebird
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say, stay in there, I’m not going
to let anybody see
you.
[...]
and we sleep together like
that with our
secret pact
and it’s nice enough to make a man weep, but I don’t weep, do you?
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Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
Manuel Bandeira, 1939, Lira dos Cinquent'anos
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico,
Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
Manuel Bandeira, 1939, Lira dos Cinquent'anos
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Andorinha
Andorinha lá fora dizendo:
- "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei à vida à toa, à toa...
Manuel Bandeira - Libertinagem
- "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei à vida à toa, à toa...
Manuel Bandeira - Libertinagem
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Histérica é a mãe, é a filha, sou eu, sua filha, se é assim que você quer me chamar, histérica.
Somos muitas, histéricas, loucas, neuróticas, cansadas de tantos desafios cotidianos para garantir um mínimo de respeito.
Não te chamo de filho da puta porque minha vó não é puta, bem que poderia sê-lo, somos todas putas, não? Somos todas putas.
Vadias, mal-amadas, mal-comidas, vai tomar remédio! Vai se tratar! Vai se foder!
Quanta delicadeza.
tudo isso dói
mas não choca
Só fortalece.
E dá mais certezas do porquê estamos todas aí, histéricas e unidas.
Somos muitas, histéricas, loucas, neuróticas, cansadas de tantos desafios cotidianos para garantir um mínimo de respeito.
Não te chamo de filho da puta porque minha vó não é puta, bem que poderia sê-lo, somos todas putas, não? Somos todas putas.
Vadias, mal-amadas, mal-comidas, vai tomar remédio! Vai se tratar! Vai se foder!
Quanta delicadeza.
tudo isso dói
mas não choca
Só fortalece.
E dá mais certezas do porquê estamos todas aí, histéricas e unidas.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2015
sábado, 14 de novembro de 2015
Do início da vida adulta nos EUA, mas também em outros lugares
As vantagens de ser invisível - The perks of being a wallflower
ou
Bukowski
"Eu podia ver o meu futuro bem na frente. Era pobre e continuaria sendo pobre. Mas não era particularmente dinheiro o que eu queria. Eu não sabia o que eu queria. Sim, sabia. Queria algum lugar para me esconder, algum lugar onde uma pessoa não tivesse que fazer nada. O pensamento de me tornar alguma coisa, não apenas me apavorava, mas me deixava enojado. O pensamento de me tornar um advogado, um membro do conselho ou um engenheiro, qualquer coisa assim, parecia impossível para mim. Casar, ter filhos, ficar enroscado na estrutura familiar. Ter que ir para algum lugar todos os dias trabalhar e ter que voltar. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, tomar parte em piqueniques familiares, Natal, o 4 de Julho, Dia do Trabalho, o Dia das Mães... será que um homem nasce apenas para suportar essas coisas todas e depois morre? Eu preferia ser um lavador de pratos, voltar sozinho para um quarto minúsculo e beber até dormir."
Misto Quente - A Juventude de Henry Chinaski, Ham on rye [1982]
[EUA, recessão pós-29]
ou
Bukowski
"Eu podia ver o meu futuro bem na frente. Era pobre e continuaria sendo pobre. Mas não era particularmente dinheiro o que eu queria. Eu não sabia o que eu queria. Sim, sabia. Queria algum lugar para me esconder, algum lugar onde uma pessoa não tivesse que fazer nada. O pensamento de me tornar alguma coisa, não apenas me apavorava, mas me deixava enojado. O pensamento de me tornar um advogado, um membro do conselho ou um engenheiro, qualquer coisa assim, parecia impossível para mim. Casar, ter filhos, ficar enroscado na estrutura familiar. Ter que ir para algum lugar todos os dias trabalhar e ter que voltar. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, tomar parte em piqueniques familiares, Natal, o 4 de Julho, Dia do Trabalho, o Dia das Mães... será que um homem nasce apenas para suportar essas coisas todas e depois morre? Eu preferia ser um lavador de pratos, voltar sozinho para um quarto minúsculo e beber até dormir."
Misto Quente - A Juventude de Henry Chinaski, Ham on rye [1982]
[EUA, recessão pós-29]
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