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sábado, 18 de abril de 2020

"Virados de lado, muros são pontes."

Angela Davis, Uma autobiografia, 1974


sábado, 22 de fevereiro de 2020

Angústia, 1936

"Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se."

Angústia, Graciliano Ramos, 1936

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Sobre amor e educação

"Não há diálogo, porém, se não há um profundo amor ao mundo e aos homens. Não é possível a pronúncia do mundo, que é um ato de criação e recriação, se não há amor que a infunda".

"Porque é um ato de coragem, nunca de medo, o amor é o compromisso com os homens. [...]. Como ato de valentia, não pode ser piegas" (p.110)

Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido (1967).
Dedicatória de Pedagogia do Oprimido:

Aos esfarrapados do mundo e ao que neles
se descobrem e, assim, descobrindo-se, com eles
sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam.


Paulo Freire, 1967


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

o avesso das cidades

Continuei por semanas minha romaria pelo avesso da cidade, explorando livremente todas as brechas, quase invisíveis para quem vive na superfície, pra cá e pra lá, às vezes à tona e de novo pro fundo, rodoviária, vilas, sebos e briques, alojamentos, pronto-socorro, portas de igrejas, de terreiros de candomblé, procurando meus iguais, por baixo dos viadutos, das pontos do arroio Dilúvio, nas madrugadas, sobrevivente, sesteando nas praças e jardins, debaixo dos arcos e marquises, sob as cobertas das paradas de ônibus desertas, vendo o mundo de baixo para cima, dos passantes apenas os pés.



Quarante Dias
Maria Valéria Rezende, 2014

domingo, 14 de julho de 2019

um problema com o ser-se velho é o de julgarem que ainda devemos aprender coisas quando, na verdade, estamos a desaprendê-las, e faz todo o sentido que assim seja para que nos afundemos inconscientemente na eminência do desaparecimento.

valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis, [2010], 2011, p. 33

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Literatura portuguesa

Gil Vicente (1465-1536)
- Auto da Barca do Inferno -1517

Luiz Vaz de Camões (-1580)
- Os Lusíadas -1572

Padre Antonio Vieira (1608-1697)
- Sermões - 1679

Eça de Queiroz (1845-1900)
- Os Maias -1888

Fernando Pessoa (1888-1935)
- Mensagem -1934

Mario de Sá-Carneiro (1890-1916)

Almada Negreiros (1893-1970)

Florbela Espanca (1894-1930)
- Livro de Mágoas -1919

Miguel Torga (1907-1995)
- A Criação do Mundo - 1937
- Prêmio Camões em 1989

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
- Prêmio Camões em 1999

José Saramago (1922-2010)
- O ano da morte de Ricardo Reis -1984
- A Jangada de Pedra -1986
- O evangelho segundo Jesus Cristo -1991
- Ensaio sobre a cegueira -1995
- Prêmio Nobel em 1998

Agustina Bessa-Luís (1922-2019)
- A Sibila, 1954

Antonio Lobo Antunes (1942-)
- Os cus de Judas - 1979

Valter Hugo Mãe (1971)
- A máquina de fazer espanhóis




"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar."

O Conto da Ilha Desconhecida - José Saramago

domingo, 16 de junho de 2019

A morte, afinal, é uma corda que nos amarra as veias. O nó está lá desde que nascemos. O tempo vai esticando as pontas da corda, nos estancando pouco a pouco.

Terra Sonâmbula, Mia Couto, 1992

domingo, 26 de maio de 2019

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

[...]
O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do Mundo, 1940