O homem.
A postura,
A imagem,
O cheiro,
O comportamento,
As lamentações.
Acho que minha paciência chegou ao fim.
Sei que tudo isso é muito difícil, e todos nós somos seres humanos absolutamente questionáveis, e que o dinheiro é curto, e as paranoias e traumas são muitas, e eu também estou para além do que seria considerada uma pessoa 'fácil de lidar', mas acho que cheguei no meu limite.
Talvez seja a sina das mulheres de nossas famílias,
Permanecerem sozinhas, corajosas e tristes.
Todas passam por isso,
Acho que minha hora vai chegando.
Total de visualizações de página
segunda-feira, 29 de maio de 2017
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Meu coração palpita
Mãos do além estrangulam meu pescoço
Tento respirar fundo
Abro a janela
tiro o casaco que me fecha
Sinto um gosto de sangue
Recordo de Maria Celia, a professora, fustigada pelos alunos antes de descobrir que tinha Alzheimer
Como se fosse um pesadelo (mas estou bem acordada) lembro de sua imagem confusa entrando atrasada em sala de aula, procura papeis, procura ideias em sua cabeça, alunos se olham enfadados, mimados, exigentes.
Eu, estou excessivamente viva, mas descontrolada.
Minhas memórias estão em looping, pensamentos obsessivos, dor nas costas, pernas, braços, pescoço. Muito pensamentos, muitos, me sufocam.
Ela, a professora, não se lembra de mais nada. Será um alívio triste?
Sigamos enquanto é possível.
[Era gripe.]
[Era gripe.]
sexta-feira, 7 de abril de 2017
O Ateneu - o início e o fim
"Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta."
"O tédio é a grande enfermidade da escola, o tédio corruptor que tanto se pode gerar de monotonia do trabalho como da ociosidade"
"Aqui suspendo a crônica das saudades. Saudades verdadeiramente? Puras recordações, saudades talvez, se ponderarmos que o tempo é a ocasião passageira dos fatos, mas sobretudo - o funeral para sempre das horas"
Rio, Janeiro-Março de 1888.
Raul Pompéia (1863-1895)
Marcadores:
coragem,
infância,
juventude,
literatura brasileira,
Raul Pompéia,
saudades,
tédio
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Sobre o não casamento de Conceição
"Num relevo mais forte, tão forte quanto nunca o sentira, foi-lhe aparecendo a diferença que havia entre ambos, de gosto, de tendências, de vida. [...] Ele lhe parecia agora como um desses recantos da mata, próximo ao riacho, num sombrio misterioso e confortante. Passando num meio-dia quente, ao trote penoso do cavalo, a gente para ali, olha a sombra e o verde como se fosse para um cantinho de céu...
Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavacado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente.
Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza..."
O Quinze, Rachel de Queiroz, 1930
Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavacado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente.
Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza..."
O Quinze, Rachel de Queiroz, 1930
Marcadores:
gênero,
literatura,
literatura brasileira,
mulher,
Rachel de Queiroz
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
O enfermeiro - Machado de Assis
Adeus, meu caro senhor. Se achara que esses apontamentos valem alguma coisa, pague-me também com um túmulo de mármore, ao qual dará por epitáfio esta emenda que faço aqui ao divino sermão da montanha: "Bem aventurados os que possuem, porque eles serão consolados".
In: Mário de Andrade: seus contos preferidos, Luiz Rufatto (org), Ed. Tinta Negra.
In: Mário de Andrade: seus contos preferidos, Luiz Rufatto (org), Ed. Tinta Negra.
Marcadores:
classe,
estratificação social,
literatura brasileira,
Machado de Assis,
Mário de Andrade
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
[...] "não se constranja, meu irmão, encontre logo a voz solene que você procura, uma voz potente de reprimenda, pergunte sem demora o que acontece comigo desde sempre, componha gestos, me desconforme depressa a cara, me quebre contra os olhos a velha louça lá de casa", mas me contive [...]
6.
Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura a minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse "para onde estamos indo?" - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: "estamos indo sempre para casa".
"[...] sendo que só os tolos, entre os que foram atirados com displicência ao fundo, tomam de empréstimo aos que estão por cima a régua que estes usam para medir o mundo;"
Lavoura Arcaica, 1975, Raduan Nassar
6.
Desde minha fuga, era calando minha revolta (tinha contundência o meu silêncio! tinha textura a minha raiva!) que eu, a cada passo, me distanciava lá da fazenda, e se acaso distraído eu perguntasse "para onde estamos indo?" - não importava que eu, erguendo os olhos, alcançasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: "estamos indo sempre para casa".
"[...] sendo que só os tolos, entre os que foram atirados com displicência ao fundo, tomam de empréstimo aos que estão por cima a régua que estes usam para medir o mundo;"
Lavoura Arcaica, 1975, Raduan Nassar
Marcadores:
casa,
classe,
família,
literatura brasileira,
Raduan Nassar
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Projeto Minha Literatura Brasileira
1852 – Memórias de um Sargento de Milícias
– Manuel Antonio de Almeida
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1859 - Úrsula - Maria Firmina dos Reis
1874 – A mão e a Luva – Machado de Assis
1875 – Senhora – José de Alencar
1881 – Memórias Póstumas de Brás Cubas –
Machado de Assis
[1888
– Abolição / 1889 – Proclamação da República]
1888 – O Ateneu – Raul Pompeia
1890 – O Cortiço – Aluísio Azevedo
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1891 - Quincas Borba - Machado de Assis
1899 – Dom Casmurro – Machado de Assis
1901- A Falência - Júlia Lopes de Almeida
1909 – Recordações do Escrivão Isaias Caminha – Lima Barreto
1911 – Triste Fim de Policarpo Quaresma –
Lima Barreto
1924 – Memórias Sentimentais de João Miramar – Oswald de Andrade
1928 – Macunaíma – Mario de Andrade
1930 – Libertinagem – Manuel Bandeira
1930 – O quinze – Rachel de Queiroz
1934 – São Bernardo – Graciliano Ramos
1937 – Capitães de Areia – Jorge Amado
1938 – Vidas Secas – Graciliano Ramos
1939 – Viagem – Cecília Meireles
1939 – As Três Marias – Rachel de Queiroz
1943 – Perto do Coração Selvagem – Clarice
Lispector
1943 – Fogo Morto - José Lins do Rego
1943 – Vestido de noiva – Nelson Rodrigues
1945 – A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
1947 – Contos Novos – Mario de Andrade
1951- Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
1956 – Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa
1958 – Gabriela, Cravo e Canela – Jorge
Amado
1959 – Crônica da Casa Assassinada – Lucio
Cardoso
1960 – Laços de Família – Clarice
Lispector
1962 – Primeiras Estórias – Guimarães Rosa
1964 – A Paixão Segundo GH – Clarice Lispector
1969 – Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
– Clarice Lispector
1973 – As Meninas – Ligia Fagundes Telles
1975 – Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
1977 – A Hora da Estrela – Clarice
Lispector
1977 – Tieta do Agreste – Jorge Amado
1979
– O cobrador – Rubem Fonseca
1979- Anarquistas Graças a
Deus – Zélia Gattai
1982
– A Obscena Senhora D - Hilda Hilst
1984
– Senhora Dona do Baile – Zélia Gattai
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1989 - Boca do Inferno - Ana Miranda
1992 – Memorial de Maria Moura –Rachel de Queiroz
2001
– Eles eram muito cavalos – Luiz Rufatto
2005 – Cinzas do Norte – Milton Hatoum
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
2014 - Quarenta Dias - Maria Valéria Rezende
"E o mundo não é um laboratório de anatomia nem os homens são cadáveres que devam ser estudados passivamente."
"Eis aí a concepção bancária da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los" (p. 80)
"Só existe saber na invenção, na reivenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros. Busca esperançosa também." (p. 81)
"É que, se os homens são estes seres da busca e se sua vocação ontológica é humanizar-se, podem, cedo ou tarde, perceber a contradição que a educação bancária pretende mantê-los e engajar-se na luta por libertação".
Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, 1967
"Eis aí a concepção bancária da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los" (p. 80)
"Só existe saber na invenção, na reivenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros. Busca esperançosa também." (p. 81)
"É que, se os homens são estes seres da busca e se sua vocação ontológica é humanizar-se, podem, cedo ou tarde, perceber a contradição que a educação bancária pretende mantê-los e engajar-se na luta por libertação".
Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, 1967
Marcadores:
educação,
Paulo Freire,
pesquisa,
vocação
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Punição
"E eu vou ficar aqui, às escuras, até não sei que hora, até que, morto de fadiga, encoste a cabeça e descanse uns minutos."
Paulo Honório
São Bernardo - Graciliano Ramos, 1934
Paulo Honório
São Bernardo - Graciliano Ramos, 1934
Marcadores:
Graciliano Ramos,
insônia,
literatura
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Já não sei mais
Sobrevivo?
estou anestesiada
desesperança, tédio, medo, mediocridade
tudo junto já não sei mais onde fiquei, onde estou indo, como era o caminho?
fiquei parada, olhando, esperando dar a hora de ir na escola buscar meu filho, todos os dias
Serei forte o suficiente?
Meu desespero será por mim ou por ele?
Me libertar de um casamento arruinado me fará melhor ou pior?
Sinto um peso nos olhos. Acordo mas continuou meio dormindo, quase todos os dias. Será por mim ou será por ele?
Preciso ser forte e tomar uma atitude. Acho que do jeito que está não dá mais. Mas tenho que fazer alguma coisa. Pra me encorajar, penso que se eu me tornar uma mulher independente, solteira, desquitada, Malu Mulher, posso me engajar mais nas coisas, posso ser mais eu. Mas será que não me afundarei no desespero?
Quanta sinceridade. Quanta mediocridade. Não poderia fazer isso pelo meu filho. Cometer os mesmos erros da minha mãe. Deus, quanto medo.
Será que eu teria dinheiro? Será que eu teria amigas e amigos? Será que eu teria coragem o suficiente?
Seria mais livre? Mais autêntica? Mais engajada?
Acho que sim. E tenho achado isso faz tempo. Sei que vai ser muito díficil. Tenho muito medo do silêncio. Dias inteiros de silêncio. Rios de silêncio. Dentro da cabeça, toc toc, a loucura a espreita, toc toc, como a minha mãe. Serei mais forte ou mais fraca do que a minha mãe? Ou posso me dar ao direito de ter fraquezas como ela e é ai que se encontra o feminismo?
estou anestesiada
desesperança, tédio, medo, mediocridade
tudo junto já não sei mais onde fiquei, onde estou indo, como era o caminho?
fiquei parada, olhando, esperando dar a hora de ir na escola buscar meu filho, todos os dias
Serei forte o suficiente?
Meu desespero será por mim ou por ele?
Me libertar de um casamento arruinado me fará melhor ou pior?
Sinto um peso nos olhos. Acordo mas continuou meio dormindo, quase todos os dias. Será por mim ou será por ele?
Preciso ser forte e tomar uma atitude. Acho que do jeito que está não dá mais. Mas tenho que fazer alguma coisa. Pra me encorajar, penso que se eu me tornar uma mulher independente, solteira, desquitada, Malu Mulher, posso me engajar mais nas coisas, posso ser mais eu. Mas será que não me afundarei no desespero?
Quanta sinceridade. Quanta mediocridade. Não poderia fazer isso pelo meu filho. Cometer os mesmos erros da minha mãe. Deus, quanto medo.
Será que eu teria dinheiro? Será que eu teria amigas e amigos? Será que eu teria coragem o suficiente?
Seria mais livre? Mais autêntica? Mais engajada?
Acho que sim. E tenho achado isso faz tempo. Sei que vai ser muito díficil. Tenho muito medo do silêncio. Dias inteiros de silêncio. Rios de silêncio. Dentro da cabeça, toc toc, a loucura a espreita, toc toc, como a minha mãe. Serei mais forte ou mais fraca do que a minha mãe? Ou posso me dar ao direito de ter fraquezas como ela e é ai que se encontra o feminismo?
Assinar:
Postagens (Atom)